terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Leão no Inverno



O Rei Henry II (Peter O'Toole) e a Rainha Eleanor (Katharine Hepburn) encontram-se com os três filhos para comemorar o Natal e definir qual deles vai assumir o reinado quando o pai morrer. A dificuldade em tomar essa decisão é que os três filhos têm personalidades muito distintas e os defeitos de cada um podem atrapalhar um futura administração. O Rei tem o filho preferido e a Rainha também. Nenhum dos dois pensa em dar o braço a torcer. Eles vão defender seus interesses até o fim.

É muito interessante ver como a corrupção, a chantagem, o egoísmo e o benefício próprio afetam a política há milhares de anos. "Leão no Inverno" se passa no século XII e é possível ver muitas coincidências com o modo de governar um Estado. No começo, Eleonora é uma boa mãe, mesmo protegendo um dos filhos, a impressão é de que ela é muito dedicada. Mas com o desenrolar da trama a Rainha torna-se tão maléfica e tão obstinada quanto o marido. Os dois deixam os interesses próprios ultrapassarem o amor familiar.

O destaque de "Leão no Inverno" são as atuações. Peter O'Toole consegue fazer com que o personagem se confunda com o próprio ator. É impressionante como ele incorporou o autoritarismo e a maldade de um rei corrupto. A outra atuação é a de Katharine Hepburn - que ganhou um Oscar por essa atuação. Ela sabe como transitar de uma mãe preocupada, para uma mulher forte e com interesses definidos. Na verdade, o casal O'Toole/Hepburn estão maravilhosos juntos. Para se ter uma ideia, Henry II deixa a Rainha trancada na torre de um castelo. Ele só desce de lá para celebrar momentos importantes, como o Natal por exemplo. Com todo o ódio cultivado pelo casal, em alguns momentos o espectador tem a ideia de que o conturbado relacionamento dos dois vai ser finalmente resolvido. Apesar de toda a dominação e a busca pelo poder, o casal parece ainda conservar um grande amor. Além dos veteranos atores, quem merece destaque é o ator Anthony Hopkins como Ricardo, um dos filhos do casal. Em seu primeiro papel em um filme, o ator já recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Se por um lado "Leão no Inverno" tem atuações brilhantes, por outro lado ele erra na quantidade de diálogos e o ritmo. O diretor Anthony Harvey preferiu utilizar a fala, em detrimento da imagem. A quantidade de planos que o casal real faz acaba confundindo e espectador e dificulta o acompanhamento da história. Não que o diálogo seja dispensável no cinema, mas às vezes é melhor mostrar algum pensamento que falar; afinal, pra isso os recursos de câmera foram criados. Anthony Harvey poderia ter utilizados os closes como recurso de afirmação de uma ideia.

"Leão no Inverno" não é um filme imperdível. Fora as atuações de Peter O'Toole, Katharine Hepburn e Anthony Hopkins, não há muito o que exaltar. As mais de duas horas de produção são bem cansativas. "Leão no Inverno" pode também ser um exemplo de como a imagem deve ser extremamente explorada no cinema. Diálogos são também importantes, mas é necessário utilizá-los de uma maneira que não deixe o espectador exausto.


Leão no Inverno (The Lion in the Winter)
Reino Unido - 1968
Direção: Anthony Harvey
Produção: Martin Poll
Roteiro: James Goldman
Fotografia: Douglas Slocombe
Trilha Sonora: John Barry
Elenco: Peter O'Toole, Katharine Hepburn, John Castle, Nigel Terry, Timothy Dalton, Jane Merrow, Anthony Hopkins, Nigel Stock
Duração: 134 minutos

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